Há projetos que nascem de planilhas, metas e números. E há projetos que nascem do olhar atento para a dor do outro — e da decisão silenciosa de não passar por ela indiferente. É assim que começa a mobilização dos clubes de Rotary de Timbó e região em favor da Associação Renal Vida: com escuta, sensibilidade e um compromisso profundo com a vida.
Unidos pelo mesmo propósito, em Timbó, rotarianos dos Rotary Clubs Timbó, Timbó Pérola do Vale, Timbó Vale Europeu e Timbó Raízes encampam uma campanha que ultrapassa fronteiras, conecta pessoas de diferentes cidades e transforma solidariedade em ação concreta. Junto com clubes de Rotary do Alto Vale, do Vale, do Litoral e da Grande Florianópolis, mobilizam R$ 1,3 milhão para salvar vidas na Associação Renal Vida.
Tudo começou com a ampliação da unidade da Renal Vida em Timbó, diante da necessidade de mais máquinas de hemodiálise (inicialmente, oito). A partir disso, a conexão com rotarianos de cidades atendidas pela Renal Vida ganhou força e tomou proporções ainda maiores. Rotarianos do Rotary Club Hermann Blumenau, do Rotary Club de Rio do Sul, além de clubes do Litoral, da Grande Florianópolis e de Rotary Clubs internacionais, já estão engajados no projeto.
O objetivo é grandioso — e profundamente humano: viabilizar a aquisição de 20 máquinas de hemodiálise, por meio de um projeto de Subsídio Global do Rotary, com investimento estimado em R$ 1,3 milhão.
Máquinas que não representam apenas tecnologia. Representam tempo. Representam continuidade. Representam a possibilidade de uma mãe continuar acompanhando o crescimento dos filhos, de um trabalhador retornar para casa depois de mais um dia, de uma família manter acesa a esperança.
Por trás desse movimento está um trabalho paciente, criterioso e altamente responsável. Trata-se de um projeto de Subsídio Global, que envolve clubes do Brasil e do exterior, com participação da Fundação Rotária e rigor técnico na avaliação, na sustentabilidade e no impacto social da iniciativa.
É a força de uma rede mundial se colocando a serviço de uma necessidade local — porque, para o Rotary, agir na própria comunidade é uma das formas mais concretas de transformar o mundo.
À frente desse processo estão várias lideranças que conhecem profundamente a essência do servir. Entre elas, o presidente do Rotary Club Timbó Pérola do Vale, Claodecir Schad, e o governador distrital de Rotary Internacional 2022/2023, Erlon Cimardi, do Distrito 4652, que reforçam que tudo começa com uma pergunta simples: onde está a necessidade real da comunidade?
E, neste momento, ela está nos corredores silenciosos da hemodiálise. Está nos pacientes que chegam cedo, três vezes por semana, para lutar mais um dia. Está nas famílias que reorganizam rotinas, sonhos e planos em torno de um tratamento que não pode esperar.
MOBILIZAÇÃO
A campanha ganha ainda mais força quando o setor empresarial se soma ao movimento solidário. Um exemplo é o engajamento do Posto Fratelli, que participa da mobilização por meio da campanha Bomba Amiga. De forma simples e poderosa, a cada litro abastecido, um centavo é doado ao projeto. Um gesto pequeno, quase imperceptível no dia a dia — mas gigantesco quando multiplicado por milhares de pessoas que passam diariamente pelas bombas de combustível.

A campanha segue ativa de 20 de dezembro de 2025 a 20 de fevereiro de 2026, nas unidades do Posto Fratelli de Timbó e Rodeio, e transforma um hábito cotidiano em um ato direto de amor ao próximo.
O que emociona, no entanto, é perceber que esse projeto não pertence apenas aos clubes de Rotary. Ele pertence à comunidade. Pertence a cada morador que compra um ingresso da tradicional galinha com polenta do Rotary Club Timbó Pérola do Vale. Pertence a cada empresa parceira que acredita no impacto social real. Pertence a cada cidadão que decide participar, mesmo sem usar crachá, sem frequentar reuniões e sem aparecer em fotos.
Mais de 95% dos atendimentos realizados pela Renal Vida são destinados a pacientes do SUS. E, ainda assim, menos da metade dos custos totais da instituição é coberta por recursos públicos. O restante vem exatamente daqui: de campanhas, projetos sociais, parcerias e da mobilização de pessoas que entendem que saúde também se constrói com solidariedade.
É por isso que este projeto mobiliza cerca de 60 Rotary Clubs de diferentes regiões de Santa Catarina. É por isso que recursos vindos de outros países passam a fazer parte dessa corrente. E é por isso que, ao final, cada máquina instalada carrega não apenas um número de patrimônio, mas a história de centenas de mãos que se uniram para que ela existisse.
Nos próximos meses, a expectativa é concluir todas as etapas do projeto, viabilizar a aquisição dos equipamentos e, em breve, entregar à comunidade uma estrutura ainda mais moderna, acolhedora e humanizada na unidade da Renal Vida em Timbó.
Uma estrutura preparada não apenas para tratar o corpo, mas para cuidar das pessoas — com respeito, dignidade e esperança. Porque, quando Rotary Club, empresas, instituições e comunidade caminham juntos, o resultado vai muito além de um valor financeiro. Ele se traduz em algo que não cabe em planilhas: vida que continua.





