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quarta-feira, 24 de abril de 2024

Conselhos Tutelares registram números elevados de ocorrências contra menores

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Conselhos Tutelares registram números elevados de ocorrências contra menores
VIOLÊNCIA: Os maus tratos e a violência psicológica ocupam mais de 80% das ocorrências registrad …

ALEXANDRA BLAZIUS/JMV

TIMBÓ – Maus tratos, violência doméstica, abandono e abuso sexual são geralmente praticados por membros da própria família ou pessoas próximas. Mas como é possível mudar essa realidade que vivemos? Desde que a instituição Conselho Tutelar foi fundada no Brasil, em 27 de outubro em 1995, ela só tem facilitado a vida das famílias e, principalmente, o convívio das crianças e adolescentes junto à sociedade. Para quem não sabe, o Conselho Tutelar é formado por um grupo de pessoas capacitadas, com o propósito de defender os direitos e deveres das crianças e adolescentes.
Na região do Médio Vale do Itajaí, o número de casos relacionados à violência contra menores é alarmante. De acordo com o levantamento feito nos Conselhos Tutelares da região, o índice mais preocupante vem da cidade de Rodeio, município que só neste ano de 2010, registrou aproximadamente 500 casos de violência contra menores. As mais frequentes queixas e denúncias são atribuídas aos maus tratos e à chamada “violência psicológica”. De acordo com presidente do Conselho Tutelar de Rodeio, Tarcisio Tarssi, os conselheiros vêm desenvolvendo um bom trabalho quanto à orientação e ao acompanhamento periódico a algumas famílias.
Outro município que exige uma atenção especial é Benedito Novo, pois registra em média 120 ocorrências todos os meses, totalizando 480 casos entre janeiro e abril deste ano. Segundo a presidente, Lilian Schmidt Tomasoni, os casos mais corriqueiros são os de maus tratos, negligência e violência psicológica. “O nosso papel, enquanto conselheiros tutelares, consiste em acompanhar e aconselhar as famílias que passam por estes problemas, mas quando não conseguimos, passamos a situação para a Promotoria Pública”, relata a presidente.
Timbó e Rio dos Cedros vivem situações semelhantes. Em Timbó, foram registrados 180 casos nesses primeiros quatro meses do ano, envolvendo ocorrências como maus tratos, seguidos de abandono e violência psicológica. Segundo a presidente, Clarisse Buzzi, eles recebem várias denúncias diariamente, mas nem sempre todas são verdadeiras, muitas delas são estão relacionadas a intrigas e fofocas entre vizinhos. Já em Rio dos Cedros, neste ano, foram atendidos 200 casos. Para o presidente Tarcisio José Campestrini, o índice está bem controlado se comparado aos anos anteriores, mas ainda está longe do objetivo traçado pelos conselheiros tutelares do município.
Em Ascurra, o ano iniciou um pouco agitado, registrando 18 casos, dentre eles, o mais grave envolvendo abuso sexual. “Mas tudo está controlado, pois o Conselho Tutelar de Ascurra não está sozinho, conta com uma ajuda extra da Prefeitura”, destaca a conselheira tutelar, Adriana Moser. Segundo ela, quando os conselheiros têm muita dificuldade com certos menores infratores, eles são encaminhados para uma oficina de dança e teatro, cujo projeto chama-se “Despertar”. Para ela, as crianças que são encaminhadas apresentam uma mudança significativa e positiva no comportamento, pois “o mais interessante é como eles gostam de participar e vir às aulas”, conta a conselheira.

Situação em Apiúna,
Doutor Pedrinho
Indaial é menos
preocupante
Os municípios de Apiúna e Doutor Pedrinho, por exemplo, tiveram poucas ocorrências neste início de ano. Em Apiúna, foram registrados e confirmados somente dois casos, um de abandono e o outro envolvendo abuso sexual, mas de acordo com a vice-presidente do Conselho Tutelar, Sônia Dias, há outros 12 casos de abuso sexual em andamento. Os conselheiros de Apiúna, além de fazer um acompanhamento periódico na comunidade, também estão implantando um novo método, que segundo ela, já deveria ter sido adotado desde o princípio. “Estamos eliminando as visitas domiciliares, pois isto só gera fofoca e atrapalha o nosso trabalho. Só iremos fazer visitas em casos de extrema importância”, ressalta.
Em Doutor Pedrinho, somente um caso de abandono foi registrado. Desde 2008, o Conselho não registra nenhum caso de extrema gravidade. Para a presidente, Carme Neide Viacini, o resultado do baixo índice é fruto da boa campanha que vem sendo feita pelos conselheiros. “Buscamos trabalhar com o diálogo e a conciliação entre as partes, trabalhando os direitos e deveres de cada um, tanto dos pais quanto dos menores”, explica a presidente.
Já no município de Indaial, embora a população infantil da cidade tenha aumentado de 2009 para 2010, o Conselho Tutelar não tem registro crescente no número de ocorrências que envolvam menores. No primeiro trimestre de 2010, entre janeiro e março, foram registradas 170 ocorrências, o mesmo número do ano passado. De acordo com o presidente do Conselho Tutelar de Indaial, Cleumir Sehn, o número de casos é pequeno se comparado às demais regiões.
“O maior problema é o grande número de crianças e a falta de espaço adequado para que os pais possam deixá-los quando vão trabalhar”, explica o presidente. Segundo ele, aproximadamente 80 crianças estão nas filas para conseguir uma vaga nas escolas do município. “Esse é um fator que complica ainda mais o trabalho dos conselheiros, pois aumentam as queixas de maus tratos, negligência e abuso sexual, que são os mais frequentes”, finaliza Sehn.
 

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