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segunda-feira, 22 de abril de 2024

O porquê da necessidade de isolamento social

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O porquê da necessidade de isolamento social

Clarice Graupe Daronco / JMV

TIMBÓ – O mundo todo está em alerta desde que o Coronavírus (Covid-19) virou uma ameaça para a sociedade, contaminando milhares de pessoas em um curto período de tempo. E no Brasil não é diferente. Os governantes têm tomado várias medidas de proteção à saúde pública e prevenção ao contágio. Parte da população aderiu ao cenário de quarentena voluntária. Mesmo não sendo ainda uma medida obrigatória em todo o país, é uma forma de resguardar a saúde e diminuir a proliferação do vírus.

Em entrevista à redação do JMV, o médico infectologista, José Amaral, descrever o que é o Coronavírus; o sistema que ele ataca; porquê o alto índice de mortes registradas caso a pessoa venha a ter o vírus; quais os fatores que podem levar à morte, entre outras questões.

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Primeiramente Amaral afirma que o problema não é por ser o Coronavírus. “O problema é esse Novo Coronavírus que ninguém tinha tido contato antes, ou seja, sem nunca ter formado anticorpos contra ele e nos casos de pessoas com imunidade diminuída, principalmente, como idosos, portadores de problemas cardíacos, diabéticos, etc. a infecção ocorrendo pode ser muito grave”.

O profissional observa que: “como esse vírus tem o poder de se espalhar de forma muito rápida e eficiente a maioria da população não vai ter a doença grave e assim estarão transmitindo muitas vezes sem saber fazendo dele um inimigo muito arriscado para a população geral. Um vírus só se espalha assim, porque poucos adoecem, porém isso coloca os mais vulneráveis em risco e quanto mais pessoas infectadas em curto espaço de tempo maior será o risco dos vulneráveis”.

Amaral destaca que: “chamamos ele de novo Coronavírus, pois como todos os vírus tem uma capacidade grande de mudar sua genética”.

Diferença do vírus

Segundo o infectologista, a grande diferença dos vírus do resfriado comum e mesmo da gripe é que quando alguém acometido evolui para doença grave ele causa um tipo de pneumonia que compromete os pulmões exigindo praticamente em todos os casos uso de respirador artificial, ou mecânico, e geralmente por longo período. “Se a pessoa já não tem muitas reservas, como idosos, a possibilidade de morte é muito grande. Outro fator é que como é novo, evidentemente não há ainda uma vacina e também não há nenhum medicamento plenamente efetivo para curar totalmente, os que estão sendo usados ainda não tem comprovação absoluta de resultados e só servem para casos muito graves”.

De acordo com Amaral, juntando tudo isso principalmente pela citada facilidade de transmissão e porque poucas pessoas ficam com doença mais grave é crucial que o bloqueio da transmissão seja feito para não saturarmos o sistema de Saúde, já sobrecarregado com os mais vulneráveis que terão doença grave. “E sem uma vacina até o momento e quando todos os estados do país já têm casos e poucos testes diagnosticados foram ou estão sendo feitos o único recurso é o chamado isolamento social. A experiência de outros países deixou isso muito nítido. E fazer com que a velocidade de transmissão diminua para ser possível ir atendendo casos graves de forma gradual principalmente porque outras causas de doenças graves continuam acontecendo (como infartos, câncer, a própria gripe, dengue, febre amarela, entre outros) e também, evidentemente, necessitam da estrutura de Saúde”.

O profissional destaca ainda que: “Claro que isso exige um grande sacrifício de todos principalmente pelo impacto econômico gerado. Porém a situação é muito crítica assemelhando a grandes conflitos como guerras ou catástrofes naturais. A história tem vários exemplos de grande superação da humanidade após episódios equivalentes e acredito que esse será mais desses momentos difíceis, mas que passará e tenho certeza com muitas lições”.

O médico infectologista observa ainda que está sendo muito comentado que quando a pessoa chega num quadro grave necessita de um respirador mecânico, ou seja, respiração por aparelho. “Um respirador mecânico não é um aparelho qualquer, é primeiramente de uso exclusivo hospitalar e requer profissionais (médicos e fisioterapeutas) altamente treinados para controlá-los e exige monitoração contínua de acordo com a mudança do quadro. Sua tecnologia é altamente avançada. Na verdade, o aparelho por si só não ajudará em nada sem ter alguém para manejá-lo. É como comprar um avião e não saber pilotar. Sem contar que um respirador com muitos recursos, e todos os casos graves vão exigir isso, custa acima de R$ 40 mil”.


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