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terça-feira, 16 de abril de 2024

Programa de Transição para Jovens Acolhidos

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Programa de Transição para Jovens Acolhidos

Clarice Graupe Daronco [email protected]

Foto: FOTO/ PMA

A criação de um Programa de Transição para Jovens Acolhidos é de extrema importância, pois visa oferecer suporte e recursos essenciais para esses jovens à medida que façam a transição da vida em instituições de acolhimento para a independência. Assim, no dia 23 de novembro, foi realizada uma reunião no gabinete do prefeito de Ascurra, Arão Josino da Silva, para discussão da implantação do programa de transição para jovens que completam 18 anos no Serviço de Acolhimento.

Na oportunidade o prefeito incentivou a criação do programa e realizou a iniciativa da reunião dos servidores e responsáveis para traçar as metas e objetivos do Programa de Transição para os Jovens em Acolhimento. “São muitas as diferenças entre as experiências de um(a) adolescente que contou a vida toda com apoio familiar, que teve suporte e afeto, e as vivências de um(a) adolescente que passou a maioria da vida acolhido e agora está sendo desligado dos serviços de acolhimento. Nenhum jovem que viveu em uma família é convidado a sair da sua residência aos 18 anos. E, se ele sai, ele sai com uma rede de apoio contínua, até que ele possa viver sozinho”, ressalta Arão.

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Durante a reunião, a coordenadora do Serviço de Família Acolhedora da Comarca de Ascurra, Laís Daniel, destaca que “uma criança ou adolescente que chega ao serviço de acolhimento pode ter passado por muitos traumas ao longo da vida, desde situações envolvendo o não cumprimento de seus direitos fundamentais – moradia, alimentação, saúde, etc. – e, em alguns casos, maus-tratos e violência física e sexual. A partir disso, eles podem passar a carregar diversas questões relacionadas ao abandono e à dificuldade em estabelecer vínculos afetivos”.

A profissional observa que “esse é o jovem em situação de maior vulnerabilidade. É uma criança que viveu um serviço de acolhimento, ou seja, já foi vítima de violação de direito. E agora o serviço que cuidava, que dava atenção para ele, não vai servir mais. Ele não pode ficar… É o jovem que ninguém olha”.

A coordenadora comenta ainda que “pensando nisso, o processo de desligamento também se caracteriza como mais uma ruptura em sua trajetória, uma desassociação do ambiente e das pessoas com quem ele conviveu durante todo esse tempo. Para eles, é como se fosse também uma perda de suas referências. É como se, de um dia para o outro, eles perdessem todas as referências que eles tinham até então”.

O prefeito destacou também que “não é porque eles completarão 18 anos que ficarão desprotegidos. Precisamos pensar em um processo de transição, para ajudar o jovem a se acostumar com a nova realidade, que se inicia alguns meses antes, por isso a ideia de pensarmos em um programa de transição onde será contemplado o acompanhamento desse jovem pelas equipes que irão assisti-lo neste momento da sua trajetória, a inclusão deste jovem em cursos profissionalizantes oferecidos pelo município, suporte financeiro para o período pós-acolhimento para que ele consiga assim suprir com suas necessidades e dando início à trajetória de autonomia”.

Arão afirma que “por mais que haja uma preocupação em oferecer uma transferência mais humanizada, enfrentar esse período de desligamento ainda pode ser um evento traumático na vida desses jovens. Invisibilizados e sem uma perspectiva de futuro, eles têm seus sentimentos de abandono, solidão, angústia e preocupação revividos da pior forma. É nisto que vamos nos basear ao criar o Programa, que o jovem possa dar este passo para sua independência de forma segura e saudável para poder conviver normalmente em sociedade sem sofrer mais vulnerabilidades no período pós-acolhimento”.

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