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terça-feira, 16 de abril de 2024

“Um canto de louvor e gratidão a Timbó”

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HOMENAGEM
“Um canto de louvor e gratidão a Timbó”

Clarice Graupe Daronco [email protected]

Foto: FOTOS/ARQUIVO PESSOAL

A Prefeitura Municipal de Timbó, através da Fundação de Cultura e Turismo, realizou a entrega solene da Comenda do Mérito Cultural Lindolf Bell. Esta distinção, oficializada pelo prefeito Jorge Krüger mediante o decreto nº 6.604, de 24 de outubro de 2022, tem como objetivo honrar personalidades, artistas e grupos culturais notáveis no município de Timbó, reconhecendo suas destacadas contribuições ao patrimônio artístico e cultural local. A comenda recebe o nome do ilustre poeta Lindolf Bell, líder do movimento Catequese Poética e pioneiro na criação da primeira galeria de arte de Santa Catarina, a Açu-Açu, em Blumenau. Sua marcante influência como escritor e poeta o consagrou como uma figura central na poesia catarinense.

A entrega anual da Medalha Lindolf Bell ocorrerá durante eventos organizados pela Fundação, incluindo a celebração do primeiro aniversário do Centro Integrado de Cultura Ingo Germer. Neste ano, entre os homenageados, destacou-se Sérgio Roberto Maestrelli, ex-extensionista rural da Epagri, que desempenhou um papel ativo na promoção do desenvolvimento social, econômico e cultural de Timbó.

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Em entrevista ao Jornal do Médio Vale, Maestrelli rememora sua chegada a Timbó em 1981 e ressalta seu envolvimento com a comunidade ao longo de 19 anos. Além de suas atividades como extensionista, ele foi colunista do jornal, participou de associações culturais e teve um papel destacado na Comissão dos Festejos dos 120 Anos de Timbó em 1989.

O homenageado expressa: “não é preciso dizer que minha alma está agitada pelo turbilhão de lembranças, eventos, pessoas, imagens e paisagens que passam pela minha mente após 25 anos ausente desta cidade. Em 1981, aprovado em concurso da Acaresc, hoje Epagri, permanecemos em treinamento por quatro meses com cerca de 30 colegas. Nesse período, ninguém sabia qual seria seu local de trabalho. No último dia de curso, veio um pergaminho com o nome de nosso destino. Nos pergaminhos recebidos pelos colegas, constavam os seguintes dizeres: Lacerdópolis. Boa sorte! Garuva. Boa sorte! Turvo. Boa sorte! Bom Retiro. Boa sorte! Schroeder. Boa sorte!… Coube a mim o “Timbó. Boa sorte!” Recordo que completei a frase com um: E que Timbó tenha sorte comigo”.

Maestrelli recorda: “cheguei em 9 de agosto de 1981 na Pérola do Vale e durante 19 anos, me apaixonei cada vez mais pela alma timboense, vivenciando eventos marcantes, desde as enchentes dos anos de 83, 84 e 92 até as festas de rei, pasteladas nas escolas, expo-feiras memoráveis com banhos de leite, jogos de bolão, bandinhas e as primeiras Festas do Imigrante. Cultivar plantas foi importante, mas o mais crucial foi cultivar amizades. Essas, bem cultivadas, geram safras perenes para o resto de nossas vidas. Aos colegas nas reuniões estaduais, dizia: ‘Não sei como é o paraíso, mas tenho certeza de que estamos vivendo próximo dele. Com os italianos, vivo no copo de vinho, e com os alemães, vivo no caneco de chope’. Como diria uma música típica daqui, ‘essa façanha é melhor do que pão com banha’.”

Ao falar sobre a homenagem recebida, Maestrelli afirma: “Nesta noite, recebemos esta homenagem com alegria e humildade, com gratidão e responsabilidade. Agradeço à Fundação de Cultura e Turismo de Timbó, que, através do seu diretor-presidente, Jorge Ferreira, vem coordenando com maestria, juntamente com sua equipe, grandes projetos culturais. Receber a Medalha de Mérito Cultural Lindolf Bell do segmento ‘Personalidade Cultural’ significa aproximar ainda mais a amizade que tivemos com este grande poeta timboense que nos deixou prematuramente em 1998. Fomos quase vizinhos. Ele em sua residência sítio no bairro Quintino e nós na Vila Germer. Tivemos muitos encontros na casa dele, hoje Museu Casa do Poeta, e no escritório da Acaresc para discutir cultura.”

Maestrelli revela que “chegamos em 9 de agosto de 1981, moramos na rua Augusto Maas, 119, cujo telefone tinha como final: 1119 e saímos em 19/09/1999. Voltamos hoje, dia 19 de novembro. Nove, o número da finalização das coisas. Assim, 25 anos já se passaram e, nesse período, acompanhei a Pérola do Vale pelos relatos de amigos, pelo Jornal do Médio Vale, do amigo e jornalista Evandro Loes, nos lembrando das primeiras edições xerocadas. Quando vejo no obituário do jornal o registro de falecimento de um amigo timboense, sinto a expressão italiana ‘stringere il cuore’, ou seja, aperta demais o coração. Ficamos terrivelmente mais pobres e com caminhos mais estreitos. Acompanhei também a vida do município, através do programa apresentado por Carlos Henrique Roncálio, pela Rádio Cultura de Timbó, do gerente e amigo Jeter Reinert Sobrinho. Hoje, aos domingos pela manhã, meu compromisso é com o Wili Wrust e seu Domingo Alegre. Ouvir o sotaque alemão acalma a minha alma.”

Maestrelli relata ainda que “seguindo a trajetória da vida, assumimos a Supervisão da Acaresc da região de Blumenau. Depois, saindo do mundo do chope, a empresa nos mandou para o Sul, para o mundo do vinho. O mais famoso vinho dos italianos do Sul, que se transformou na primeira indicação geográfica de Santa Catarina, carrega em seu rótulo um nome alemão – Goethe. Em novas funções, percorri todo o estado. Falei tanto no nome Timbó por onde passei que muitos amigos e colegas da empresa, já enciumados, diziam: ‘Sérgio, por que tu não vai ‘TIMBÓRA’? Em Urussanga, no Sul, recebi muitos amigos timboenses. Um dos últimos foi o companheiro de Rotary Club Pérola do Vale, Erlon Cimardi e a esposa Kátia Catoni. Nessas ocasiões, procurava ser bom anfitrião, porque fazia questão de que eles, na minha terra, se sentissem em casa, assim como eu me senti na deles.”
O homenageado observa ainda que “os anos passam e tudo na vida vai e vem a galope. Desde o dia 19/09/1999, quando saímos deste grande e inesquecível lugar, Timbó sempre esteve em minha mente, em meu coração, em minhas orações. Em minhas preces, em Urussanga, no Sul, sempre rezei para que todos os timboenses mortos estejam num bom lugar, que os vivos realizem seus sonhos e que seja reservado a Timbó um grande destino. Fui buscar a inspiração no mundo árabe para dizer: ‘Amigos, vamos encher as taças com vinho, ou os canecos com chope, e fazer um brinde. Antes que seque em nossas taças o vinho, ou em nossos canecos, o chope desta vida’. Timbó deixou em mim mais marcas do que o Vesúvio em Pompéia. Por isso nós estamos escrevendo em co-autoria com as ex-secretárias Zelmira Cristofolini Ritzke, Mirian Slomp Zermiani e com a extensionista social Kátia Marly Zimath de Melo o livro “Pelo Vale do Itajaí nos Anos 80-90” – Uma aventura da letra “A à Z” – Testemunhos de uma passagem. Em nosso pronunciamento, a mente pode ter cometido falhas, mas o coração não. Assim eu sinto. Assim eu penso.”

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