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domingo, 21 de julho de 2024

Quaresma na Igreja Luterana

Data:

“A palavra “quaresma” tem sua origem na palavra latina “quadragésima”, referindo-se aos quarenta dias que antecedem a Páscoa (descontando os domingos). Nos primeiros três séculos do cristianismo, o período de jejum e reflexão era de aproximadamente três semanas. Somente com o Concílio Ecumênico de Nicéia (325 d.C.) adotou-se a prática dos quarenta dias. Durante esse tempo de jejum, oração e reflexão, nos preparamos para a grande festa da Páscoa, um marco fundamental no cristianismo, como destacado pelo apóstolo Paulo em 1Co 15.14: E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”. As colocações são da pastora da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Cristo Bom Pastor, Paula Naegele.

Em entrevista à redação do Jornal do Médio Vale (JMV) a pastora ressalta que “na Idade Média, a igreja impunha uma disciplina rigorosa, proibindo os fiéis de consumirem alimentos de origem animal (carne, peixe, ovos ou leite), focando exclusivamente na preparação para a ressurreição de Cristo. Para a Igreja de Roma, era um período de indulgências, sacrifícios e mortificação. Lutero se opôs a essa forma de intermediação da Igreja entre os fiéis e Deus, inclusive a maneira como os cristãos deveriam se relacionar com a Trindade durante a Quaresma”.
Paula relata ainda que “para Lutero, a meditação proposta pela Igreja não conduzia à libertação que Cristo inaugurava com sua ressurreição, pois muitas pessoas simplesmente se indignavam com o sofrimento de Cristo e condenavam Judas, em vez de verdadeiramente refletirem sobre o sacrifício de Cristo”.

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Portanto, observa a pastora, “tentar compreender a paixão de Cristo de forma puramente racional é impossível. Assim como é impossível para a mente humana entender completamente o sacrifício que Deus, encarnado em Jesus, fez por amor à humanidade. O caminho das mortificações e abstinências pode oferecer uma sensação de compreensão emocional da Quaresma, mas é vazio sem uma verdadeira profissão de fé cristã”.

Paula explica também que “Lutero enfatizava que até mesmo uma breve reflexão sobre o sofrimento de Deus era mais valiosa do que longos períodos de jejum ou outras práticas religiosas, pois essa meditação transforma a pessoa de forma semelhante ao Batismo. Não há como compreender plenamente o sofrimento de Cristo nesta vida ou na eternidade, mas é através da ressurreição que somos libertos do pecado e do sofrimento. Por isso, durante a Quaresma, meditamos sobre o amor de Deus manifestado na entrega de seu filho para a salvação da humanidade”.


A pastora ressalta que “a Quaresma nos prepara para a Páscoa, onde herdamos a ressurreição mediante Cristo. É um momento de renovar a fé, de conversão e de reconciliação com Deus, com o próximo e com a criação.

Refletimos sobre nossas vidas, buscando transformação e crescimento espiritual”.

Assim, observa Paula “neste período, todos os Grupos da Comunidade Cristo Bom Pastor retomam suas atividades. São momentos de reflexão e significado. Os Grupos de OASE: Ana, Isabel e Sara, o Ensino Confirmatório, Artesanato, JEB – Grupo de Jovens e os grupos de Estudos Bíblicos em casas retomam seus encontros. Estes encontros nos permitem refletir sobre como vivenciar a fé no dia a dia, transformando nossas relações e ambientes. A reflexão é importante, mas é a prática da fé e do amor que verdadeiramente importa.

Que a Quaresma seja um tempo de preparo, reflexão, oração e prática para você e sua família. Que Deus nos acompanhe nesse caminho de renovação e crescimento espiritual”.

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