Volta da CPMF será um erro
A propagação da ideia de retornar a cobrança da Contribuição Provisória sobre Operações Fina …
Evandro Loes
A propagação da ideia de retornar a cobrança da Contribuição Provisória sobre Operações Financeiras – CPMF, que vem sendo anunciada pela imprensa desde a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, caso seja confirmada, será um grande erro político e estratégico para o país. Ao invés de criar impostos e aumentar a carga tributária, a presidente eleita deveria dar o exemplo de, como primeira mulher a assumir o cargo majoritário da Nação, rechaçar qualquer ideia de aumento da carga tributária. Ao contrário, Dilma deveria aproveitar o fato inédito de uma mulher ocupar a presidência ?pela primeira vez na história deste país?, na era republicana, e dar o exemplo adotando uma medida que resulte na redução da carga tributária. Recentemente, o impostômetro, instalado pela Federação das Associações Comerciais de São Paulo, defronte a sua sede, na capital paulista, acusou uma arrecadação recorde de R$ 1 trilhão, superando, já em meados de outubro, todas as receitas da União, Estados e Municípios em relação ao ano de 2009. Ou seja: tudo o que se arrecadar nos últimos dois meses e meio do ano será superavitário em relação ao ano anterior. Acredita-se que a arrecadação atinja um incremento anual de 15% a 18%. Esse aumento não é decorrente do aumento da carga e sim do crescimento econômico, da inflação anual e da redução da sonegação fiscal, que resulta, entre outras coisas, da melhor fiscalização do governo. É por aí que o governo deve atacar. Buscar caminhos para reduzir a sonegação e criar condições para índices ainda maiores de crescimento econômico é o caminho para resolver os grandes problemas nacionais. Recriar a CPMF, como já ficou provado antes, não resolverá o caos na saúde. A questão da Saúde não é falta de dinheiro e sim o fato de não ser uma prioridade nacional. Além disso, essa eventual receita com a CPMF deve ser conquistada com mais crescimento econômico. E uma das medidas mais acertadas seria a redução das taxas de juros, que na realidade consomem grande parte de nossas receitas de impostos. Se reduzir os juros, o governo Dilma estará economizando desembolsos da União que vão direto às mãos de banqueiros e grandes especuladores, além de criar um ambiente mais propício ao crescimento. Ou seja, o governo ganha em duas frentes, pois economiza no pagamento de juros e a arrecadação aumenta via crescimento. Com essa receita, a presidenta Dilma poderia  reduzir a carga tributária, aliviando as pressões inflacionárias, sem prejudicar a sobra de recursos para aplicar na saúde. Aumentar impostos, neste momento, prejudica o ambiente econômico, desestimulando investimentos e impondo aos empresários da produção a perda de competitividade. Já vimos esse filme no passado e sabemos que o resultado não foi nada positivo. Que a presidenta eleita tenha, nestes dias de descanso merecido, após a maratona eleitoral, momentos para refletir qual o melhor caminho a percorrer. Ela tem a chance de escrever uma bela história, orgulhando todas as mulheres do Brasil.




