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segunda-feira, 22 de abril de 2024

Museu Ferroviário apresenta a história do trem no Vale do Itajaí

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Museu Ferroviário apresenta a história do trem no Vale do Itajaí
Local foi reaberto em 2010 e tem como destaque uma maquete de trem que apresenta como eram os trens …

CLARICE DARONCO/JMV

Foto: DIVULGAÇÃO

INDAIAL – Os museus são os “guardadores da memória de um povo”. Com este pensamento está em funcionamento, em Indaial, o Museu Ferroviário Silvestre Ernesto da Silva. O Museu que passou por reformas apresenta aos visitantes um novo acervo de fotografias, objetos e documentos pertinentes à história da Estrada de Ferro de Santa Catarina – EFSC, objetos e documentos pessoais de alguns dos funcionários que exerceram suas atividades na estação de Indaial. No local, os visitantes ainda podem retirar material de divulgação turística da região do Circuito do Vale Europeu, privilegiando os municípios que fazem parte do mesmo.
Como diferencial, foi instalada uma maquete de trem, para que os visitantes tenham uma melhor visualização de como funcionavam os mesmos (carga, descarga, trem de carga, vagão passageiro), bem como, uma sala de projeção, com imagens de trem em movimento e com sonorização (apitos), para que os visitantes tenham uma ideia de como eram os trens.
Conta a história, que a primeira Estação, considerada obsoleta pela administração da ferrovia, no início da década de 50, foi demolida e construída a nova Estação, que atualmente ainda existe no local. Este novo prédio foi construído seguindo-se os padrões da época, que alguns preferem chamar de “Getulista”, constituindo-se de sala para o agente da estação, sala de espera com banheiros, hall de entrada, e três armazéns, sendo dois para mercadorias, para os trens descendentes, e um para mercadorias que tomavam os trens ascendentes.
A Estação de Indaial era considerada importante para a EFSC, não pelo tamanho da pequena Indaial dos tempos da ferrovia, mas por sua localização estratégica, atendendo  uma microrregião formada por Timbó, Rio Dos Cedros e Pomerode, evidentemente mais as localidades adjacentes a estas cidades, muitas que na atualidade já viraram cidades.
Assim sendo, Indaial era sempre uma Estação com grande circulação de mercadorias e passageiros, que vinham destas localidades, para utilizar-se do trem, enquanto que Estações como Warnow e Encano, eram consideradas de pequeno porte, pois só atendiam aquelas localidades.
Assim sendo, com o passar dos anos percebeu-se a grandiosidade de se preservar o patrimônio histórico-cultural e também turístico, com o intuito de garantir a oportunidade das gerações seguintes a usufruírem o que um dia foi presente, e se transformou em história. O nome do museu é uma homenagem a um cidadão indaialense que dedicou parte de sua vida aos trabalhos na Ferrovia.
Segundo o historiador e membro da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária  ABPF, Luiz Carlos Henkels, o cidadão homenageado, Silvestre Ernesto da Silva, iniciou seus trabalhos na Rede Ferroviária Federal S/A em 1946, como Conferente Telegrafista, na estação do bairro Encano Baixo, onde trabalhava no aparelho de telégrafo. Logo após alguns anos, ele foi transferido para a Estação Central de Indaial, ocupando o cargo de Agente Ferroviário, onde fazia a venda de bilhetes de passagem, e conferia os malotes despachados pelo correio, que atendia desde o empresário até o mais humilde cidadão.

“Percebeu-se a grandiosidade de se preservar o patrimônio histórico-cultural”

Em 12 de março de 1971, a locomotiva 331, que fazia o trajeto de Itajaí até Trombundo-Central, realizou sua última viagem, momento marcante na mente das pessoas que trataram de registrar com muita tristeza o acontecido. Para Silvestre foi ainda maior a tristeza, pois dedicou parte de sua vida aos trabalhos na Ferrovia. O fechamento da linha férrea provocou um sentimento inexplicável de incertezas quanto ao futuro de todos os funcionários. Algum tempo depois do fechamento da linha férrea,  Silvestre foi transferido para a cidade de Roca Salles, no estado de Rio Grande do Sul, onde continuou trabalhando como agente ferroviário durante 5 cinco anos.
Em 1976 o prédio da antiga Estação Ferroviária foi ocupada pela Rodoviária Municipal, substituindo o transporte do trem pelo ônibus, onde Silvestre trabalhou como vendedor de bilhetes de passagens. Em 1978 passou a integrar o quadro de funcionários da Prefeitura Municipal de Indaial, exercendo a função de Auxiliar de Almoxarifado até o ano de 1982.
Como cidadão indaialense realizou inúmeros trabalhos voluntários com a comunidade. Faleceu em 3 de março do ano de 2001, com a idade de 76 anos, de ataque cardíaco, em sua residência, bem próximo a Estação.
O Museu Ferroviário atende de segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 13h30min às 17h30min. Já aos sábados das 8 às 12 horas. No local além do acervo histórico, também está localizado o Departamento de Turismo e a Central de Informações.

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