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segunda-feira, 22 de abril de 2024

Museu Ferroviário realiza evento ?40 Anos de silêncio?

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Museu Ferroviário realiza evento ?40 Anos de silêncio?
Homenagem será realizada na data em que o último trem passou pela cidade de Indaial …

CLARICE DARONCO/JMV

Foto: CLARICE DARONCO/JMV

INDAIAL – No dia 12 de março de 1971 foi realizada a última passagem do trem na cidade de Indaial. Dia 12 de março de 2011, passaram-se 40 anos, e nesta data será realizado um evento alusivo aos “40 Anos de Silêncio”. O evento, que é uma promoção da Prefeitura de Indaial, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Departamento de Turismo e Eventos, acontece dia 12 de março, sábado, à partir das 10h, no Museu Municipal Ferroviário Silvestre Ernesto da Silva, localizado à rua Prefeito Frederico Hardt, 318 – Antiga Estação Ferroviária.
Durante a solenidade, será quebrado o silêncio, com o toque do sino, replica do mesmo que estava na Antiga Estação Ferroviária em 1971, doado ao Museu, pelo blumenauense Adalberto Barth, ligado afetivamente à história da Estrada de Ferro Santa Catarina e ao município de Indaial.
O sino doado será colocado no suporte, que é original, junto a Antiga Estação de Trem e voltará a tocar, como fazia há 40 anos atrás, na chegada e na partida do trem da Estação.
Em entrevista ao Jornal do Médio Vale, Adalberto Barth faz um breve relato da sua ligação com a história da Estrada de Ferro, em especial na região de Indaial.
Adalberto conta que o sino, que foi doado ao Museu Ferroviário foi adquirido em Porto Belo e deverá marcar a história do Museu para os próximos anos. Ele, recorda que passou uma grande parte da sua infância e adolescência na cidade de Indaial, bem junto a Antiga Estação de Trem. “Nas proximidades estava instalado um hotel, local onde a minha mãe encontrou abrigo quando veio de Ibirama para Indaial, após ter perdido o marido e sido obrigado a dar os filhos para adoção por falta de condições financeiras. Minha mãe e meu pai moravam em Ibirama, com seus quatro filhos e ela estava grávida do quinto, que era uma menina. Na época meu pai morava de aluguel em um salão de festas, ele estava sendo procurado por uma pessoa, que queria residir no local também. Mas meu pai não consentiu e num final de tarde, foi surpreendido pela pessoa e ferido, não teve como se defender pois estava com o meu irmão menor no colo. Ele levou três facadas, sendo que uma lhe atingiu o crânio, local onde a ponta do canivete permaneceu causando o tétano, e após 22 dias ele faleceu. Minha mãe ficou sozinha, com os quatro filhos e a recém nascida”, relata o Barth com lágrimas nos olhos ao afirmar que por não ter condições financeiras sua mãe entregou os filhos menores para a adoção e ficou somente com ele, por ser o mais velho e já ter sete anos, e em breve poderia ajudá-la.
Barth conta que quando chegaram em Indaial, sua mãe não conseguiu emprego, pelo fato de ter um filho pequeno era complicado. “No lado da Estação tinha o Hotel Glória, minha mãe pediu pousada para a esposa do proprietário e contou sua triste história, foi lhe dado abrigo e ajudaram-na a conseguir um emprego nas Tecelagens Indaial. Permanecemos no Hotel por muitos anos, pagando o aluguel do quarto. Comecei a estudar na Escola Raulino Horn. Estudava de manhã e à tarde, como não tinha espaço para brincar fazia da área da Estação de Trem o meu quintal. Quando tinha sete ou oito anos comecei a trabalhar para ajudar a minha mãe. Fui engraxate, vendedor de pipoca e de picolé junto a Estação. Também tive o apoio do falecido dentista Struwe e comecei a trabalhar fazendo próteses”, lembra ele ao comentar que sua mãe, após ter tido a última filha, ficou com sequelas que a deixaram com sérios problemas de saúde. Ao passar dos anos, Barth começou a trabalhar como garçom nos vagões do trem, sendo o seu primeiro emprego com carteira assinada.
Com o fechamento da estrada de Ferro, ele mudou-se para Blumenau onde reside até hoje. Sua mãe permaneceu por mais um tempo em Indaial, mas depois mudou-se para a casa dele. “Nesta época a nossa família teve uma nova oportunidade de ficar unida, apesar de uma das minhas irmãs ter falecido com 13 anos de idade, com leucemia, os demais encontraram suas certidões de nascimentos e vieram nos procurar”, conta Barth ao lembrar que eram três irmãos e duas irmãs. “Uma das minhas irmãs ao descobrir que não era filha da família com quem morava e sim daqueleaque chamava de tia, veio nos procurar e ficou conosco até casar, os dois irmãos aos irem para o exército também descobriram a verdade sobre a adoção, pois todos eles tinham sido adotados por pessoas próximas a nossa família, e também vieram morar conosco”, relata ele.
Barth, 64 anos, é casado e tem três filhos e quatro netos. Morou por cerca de seis anos em Indaial e depois mudou-se para Blumenau onde reside atualmente. Trabalhou por mais de 25 anos na Empresa Sulfabril, local onde aposentou-se e agora ajuda como voluntário nos Passeios Históricos da Maria Fumaça, em Subida, Apiúna.
Para concluir ele frisa que apesar da sua história familiar dramática, ele encontrou pessoas que lhe mostraram o caminho, para que escolhesse entre uma vida digna ou uma vida escura. “Optei pela digna e agradeço a todos que me mostraram o caminho certo”.
 

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