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sábado, 13 de julho de 2024

Santa Catarina é o segundo pior no tratamento de esgoto.

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Santa Catarina é o segundo pior no tratamento de esgoto.
SANEAMENTO: Vale do Itajaí é a segunda pior região, com apenas 0,68% da população atendida. …

Thomas Erbacher

LILIANI BENTO/JMV

INDAIAL – Apesar da importância para saúde e meio ambiente, o saneamento básico no Brasil está longe de ser adequado. Quase metade da população não conta, sequer, com redes coletoras de esgotos e 80% dos resíduos gerados são lançados diretamente nos rios, sem nenhum tratamento. Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes), seccional Santa Catarina, o Estado é o segundo pior em tratamento de esgoto do Brasil, na frente apenas do Piauí. Dos 293 municípios de Santa Catarina, apenas 30 possuem redes coletoras e tratamento de esgoto.

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E, apesar de alguns municípios, na região do Vale do Itajaí, estarem fazendo a lição de casa e investindo pesado na implantação de redes coletoras de esgoto e estações de tratamento, ainda é o segundo pior no Estado. O Vale tem o vergonhoso desempenho de 0,68% da população total atendida com redes coletoras e, se for considerado apenas a urbana, sobe para ínfimos 0,80%. A região perde apenas para o extremo Sul, próximo a Criciúma, onde é zero a cobertura de esgoto. A região com melhor desempenho, no que tange ao esgoto, é o Litoral Centro, que possui 25,04% do total da população com redes de coleta de esgoto e, considerando apenas a urbana, 27,45%.

Segundo o estudo Diagnóstico do Saneamento x Investimento do PAC em Santa Catarina, seriam necessários mais de R$ 1 bilhão em investimentos para atender os déficits em redes de água e de coleta de esgoto no Vale do Itajaí. O governo federal tem previsto investimentos, até 2010, através do Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC), na ordem de R$ 503 bilhões para a região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Deste total, a menor fatia do bolo, ou seja, 37,5%, está destinada para Santa Catarina. Não é a toa que o Paraná tem 42,6% da população coberta com rede de coleta de esgoto.O Rio Grande do Sul tem 23,47 e Santa Catarina apenas 12%.

O ano deve fechar com investimentos na ordem de R$ 3 bilhões, oriundos do PAC, para saneamento na região Sul. Deste total, 17,32% são para Santa Catarina. Alguns municípios como Indaial e Blumenau vêm fazendo investimentos pesados para mudar esta realidade. Gaspar também enviou projetos ao Ministério das Cidades em busca de recursos para investir no saneamento básico, assim como Doutor Pedrinho, que também está se mobilizando.

Indaial é exemplo na gestão de água

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou um balanço do saneamento básico no Brasil. Entende-se por saneamento básico o acesso a água, esgoto sanitário, coleta de lixo, de forma independente, ou os três concomitantemente. Mesmo com resultados ruins, se a análise for detalhada, houve um crescimento de 3% no número de pessoas atendidas com redes coletoras de esgoto. Passou de 54,4% em 2006 para 57,4%, no ano passado. Se forem contabilizadas também as casas atendidas por fossas sépticas este índice sobe para 81%. A população urbana atendida por coleta de lixo no Brasil está em 97,6% e a atendida com água potável em 91,3%. O câncer está no tratamento do esgoto.

Em Indaial, a gestão compartilhada entre a Prefeitura e a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) tem gerado bons resultados. Atualmente, quase 100% da população conta com rede de abastecimento de água potável. De acordo com o secretário de Saneamento, Alberto Sell, em 2004, quando houve o acordo, este índice era de 91%. A coleta de lixo reciclado também vai passar, dos atuais 75%, para 100% até o final do ano.

Município terá 8% do esgoto tratado até o final do ano

A gestão compartilhada na administração da água e coleta de esgoto e lixo rendeu o município, este ano, o certificado do Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização (Gespública). Na cidade, já foram investidos cerca de R$ 6 milhões, sendo que 75% oriundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e 25% contrapartida da prefeitura, na implantação de redes coletoras de esgoto. O município já conta com 70 quilômetros de rede.

Atualmente, Indaial é o segundo município do Vale do Itajaí com maior índice de cobertura e tratamento de esgoto. Blumenau conta com 5% do esgoto tratado e Indaial com 2%. Porém, o secretário afirma que até o final de dezembro, com a conclusão das obras de duas estações de tratamento, Indaial terá entre 7% e 8% do esgoto tratado e ficará em primeiro lugar na região.

A perspectiva é de que, no próximo ano, com a continuidade nos investimentos em saneamento, a cidade conte com 65% de tratamento do esgoto. Atualmente, estão sendo construídas as estações de tratamento João Paulo e Encano do Norte, que devem ficar prontas até dezembro. ?As chuvas têm atrapalhado muito as obras?, diz. A estação do bairro das Nações já teve início, mas deve ser concluída no próximo ano. ?Os recursos já estão garantidos?, afirma.

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