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terça-feira, 16 de abril de 2024

Caso Ariana: Polícia e Bombeiros fazem diligências

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Caso Ariana: Polícia e Bombeiros fazem diligências
Enquanto família aguarda solução, JOhny está em lugar incerto e delegada silencia-se …

EVANDRO LOES/JMV [email protected] com colaboração de SALMOS DE SOUZA E NEILA DARONC

Foto: ARQUIVO

TIMBÓ – As buscas pela adolescente Ariana Arndt, 16 anos, tiveram prosseguimento, esta semana, com a tomada de novos depoimentos e a realização de diligências pelo Corpo de Bombeiros. A delegada Stela Maris Antunes da Rosa constatou uma série de contradições nos depoimentos do namorado de Ariana, Johny Osmar Karsten, 22 anos, em confrontação com a declaração de testemunhas, e o apontou como principal suspeito do desaparecimento da menor, solicitando sua prisão preventiva, que foi negada pelo juiz da Comarca de Timbó, sob a alegação de falta de provas. Enquanto a família de Ariana espera pela solução do caso, Johny Karsten está em local incerto e já teria a orientação de um advogado.

 

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A principal linha de investigação da polícia se concentra na possibilidade de homicídio, mas não estão descartadas as chance da menor estar sendo mantida em cativeiro ou mesmo ter fugido por conta própria. O que leva a polícia a suspeitar do envolvimento de Johny Karsten no desaparecimento, são as contradições em seus depoimentos. Há divergências nas declarações de seus próprios familiares, testemunhas que o viram com Ariana no dia do desaparecimento e a revelação de sua ex-companheira e mãe de seu filho, Maria de Fátima Vicente Ferreira. Ela declarou à polícia um horário divergente em que Johny chegou em casa na noite em que Ariana saiu da residência de seu pai para ir à escola e não mais voltou.
Durante a semana, o Corpo de Bombeiros Militar de Timbó realizou diligências em diferentes pontos da cidade, para averiguar a eventual localização do corpo de Ariana Arndt, que, nesse caso, teria sido assassinada. Um dos locais percorridos pelos Bombeiros foi nas margens da SC-417 (Tercílio Marchetti), que liga Timbó a Rio dos Cedros, onde Ariana poderia estar em uma casa abandonada. Os Bombeiros procuraram a casa, seguindo orientações de pessoas ligadas ao casal. Porém, não foi encontrada nenhuma casa com as características apontadas. Na manhã de ontem (quinta-feira), dia 12 de julho, os Bombeiros realizaram novas buscas, desta vez no bairro Dona Clara, na rua Max Klotz, que fica às margens do rio Benedito. O local fica no trajeto entre o Centro da cidade e a residência de Johny. Mais uma vez, nada foi encontrado.
O Tenente-Coronel, Walter Ferreira Póvoas, comandante do Corpo de Bombeiros de Timbó, disse que a Corporação está atendendo as orientações da Polícia Civil e também as indicações de informantes, que pedem a averiguação de locais onde poderiam ser encontrada a menor. Na semana passada, os Bombeiros fizeram uma varredura sobre o rio Benedito, onde testemunhas afirmam ter visto Ariana e Johny na sexta-feira, dia 22 de junho, à noite, quando ela desapareceu. Póvoas admite que a abertura da represa, do Centro, poderia melhorar a visibilidade nas imediações da ponte, mas revela que não cabe aos bombeiros a decisão de adotar a medida. O comandante observa que, no dia em que eles teriam sido vistos juntos, uma sexta-feira, é comum grande movimentação naquela área do pavilhão, pois no local é realizada a Feira Livre, que concentra intensa movimentação de populares. Somente novos indícios farão a polícia e os bombeiros realizarem buscas no local.

Desaparecimento


Ariana Arndt desapareceu na noite de 22 de junho, após sair da residência de seu pai, Mércio Arndt, localizada na rua São Paulo, no bairro das Capitais, em Timbó, em direção ao Colégio Ruy Barbosa (Centro). Johny Karsten, seu namorado, também não foi à escola, naquela noite. Ambos estudavam na mesma classe. Segundo três testemunhas, incluindo dois jovens e um adulto, Johny e Ariana estiveram sobre a ponte do rio Benedito, que liga os dois pavilhões, e estariam discutindo. A mãe de Ariana, Yara Donato, disse conhecer as testemunhas que viram sua filha e Johny, não tendo dúvidas sobre a veracidade dos depoimentos. A mesma opinião é compartilhada pela polícia.
Na versão apresentada por Johny Karsten, tanto em seus depoimentos à polícia, como em entrevistas à imprensa, naquele dia ele enviou uma mensagem no celular de Ariana, avisando que não iria à escola, pois teria que cuidar de seu filho. Ao retornar do serviço, Johny teria mudado de ideia, pegou sua bicicleta, por volta de 18h10min, e foi até a residência do pai de Ariana para levá-la até a escola. Lá chegando, foi informado pelo pai da namorada, Mércio Arndt, que sua filha já havia saído há pelo menos 15 minutos. Mércio revelou ao JMV que viu Johny sair de sua casa de bicicleta. Segundo Johny, depois de sair da casa de Mércio, às 18h35min ele foi direto para casa, onde estariam seus familiares, sua ex-namorada e mãe de seu filho, Maria de Fátima Vicente Ferreira, além do menor, que tem pouco mais de um ano.
Em todos os seus depoimentos e entrevistas, Johny Karsten negou ter estado com Ariana naquela noite e garantiu ter chegado em casa às 18h45min.

Contradições
Além dos depoimentos das três testemunhas, que viram Johny com Ariana na ponte sobre o rio Benedito (que liga os dois pavilhões) no início da noite do dia 22 de junho (sexta-feira), o horário em que Johny chegou em casa é divergente do revelado por seus próprios familiares e pela sua ex-companheira, Maria de Fátima Vicente Ferreira, que estava com seu filho na residência dos Karsten na mesma noite. Maria de Fátima disse que Johny chegou em casa depois das 20horas e não como ele informou à polícia, onde afirmou ter chegado mais de uma hora e meia antes, às 18h45min.
Segundo Maria de Fátima, Johny chegou em casa, naquela sexta-feira, dia 22, por volta de 18h10min e logo foi dizendo para ela que tinha que sair para jogar bola com os amigos. “Eu fiquei surpresa, porque ele disse que queria ficar com o filho e mal olhou para o menino e saiu”, disse ela ao JMV.

Relacionamento


Outro fato que chama a atenção, é a frieza com que Johny tratou o desaparecimento de Ariana. Na noite em que Ariana desapareceu, Johny abrigou em sua casa a ex-namorada, Maria de Fátima Ferreira, com quem tem um filho. Ariana e Maria de Fátima dividiam a atenção de Johny. No sábado, dia 23, Johny foi com Maria de Fátima e o filho cortar cabelo e passear pela cidade. Somente no sábado, perto do meio dia, ele recebeu uma mensagem de um familiar de Ariana dando por sua ausência. Para Maria de Fátima, Johny não mostrou muita preocupação com a falta de Ariana, tanto que somente no domingo ele teria ido à residência do pai dela, Mércio Arndt, buscar uma fotografia e dar ela como desaparecida.
Depois que a polícia entrou no caso e começaram as suspeitas sobre o comportamento e contradições de Johny Karsten, ele enviou uma carta à Rádio Cultura de Timbó, através de sua mãe, onde declarou amor a Ariana, apelando por sua volta. Também em entrevista ao JMV, Johny disse que acredita que Ariana está viva e espera que ela volte logo para ficar com ele, pois “um não pode viver sem o outro”.
Mas as declarações de amor de Johny por Ariana não correspondem a seu comportamento na noite do desaparecimento e nos dias que se seguiram. Ao invés de procurar pela namorada desaparecida, que dizia tanto amar, Johny Karsten partiu para investidas contra sua ex-namorada, com quem tem um filho. Maria de Fátima Vicente Ferreira, 19 anos, disse que Johny passou a lhe procurar insistentemente para que reatassem o namoro, enviando mensagens e fazendo várias ligações diárias.
Ela mesma se questiona, como pode ele investir numa nova relação, tendo sua namorada desaparecido a poucos dias? Também intriga o fato de Johny estar pressionando Maria de Fátima a mudar seu depoimento na polícia, principalmente em relação ao horário em que ele chegou em casa. Ela registrou um BO (Boletim de Ocorrência), na delegacia de Timbó, no sábado, dia 7 de julho. Na madrugada daquele dia, Johny foi a Rio dos Cedros de bicicleta, às 3 horas e queria um encontro com Maria de Fátima, enviando mensagens de amor. Assustada, Maria de Fátima chamou a polícia, que mandou Johny embora.

Ciúmes e violência


Segundo os depoimentos de Maria de Fátima, da mãe de Ariana, Yara Donato e do pai, Mércio Arndt, Johny Karsten tinha um temperamento possessivo em relação a suas companheiras. Maria de Fátima disse que durante a gravidez só não foi agredida por Johny porque familiares dele o impediram. “Aqui na minha casa ele não pode mais vir, pois minha família não gosta dele”, disse Maria de Fátima. Yara Donato afirmou que nunca aprovou o relacionamento da filha, Ariana com Johny. “Minha intuição de mãe dizia que ele não servia para minha filha”, disse ela, em entrevista à Rádio Cultura de Timbó.
A mãe de Ariana disse que Johny era muito ciumento e não deixava a filha ter liberdade em nenhum momento. “Até para ela vir na minha casa ele criava problemas”, comentou Yara. Já o pai de Ariana, Mércio Arndt, ressaltou que não era contra o relacionamento, mas as brigas do casal por causa dos ciúmes de Johny eram freqüentes. Mércio e Yara ainda têm esperanças de encontrar a filha viva. Mas a polícia acredita que a possibilidade de encontrar Ariana viva são remotas.

Depoimentos


Esta semana foi marcada por novos depoimentos sobre o caso. Maria de Fátima Ferreira contou a polícia sobre as mensagens que recebeu de Johny Karsten e, a pressão dele para que ela mude o depoimento sobre o horário em que chegou em casa no dia do desaparecimento de Ariana. Também foram ouvidos familiares de Ariana e realizadas buscas em possíveis locais em que ela poderia ter sido abandonada. Johny também esteve na Delegacia e prestou novo depoimento. A delegada Stela Maris Antunes da Rosa não quis mais se pronunciar sobre o caso e aguarda mais informações, como a quebra do sigilo telefônico e outras peças da investigação. Somente após a conclusão do inquérito, ela deverá comunicar a imprensa.
O JMV procurou a família de Johny Karsten, para saber seu paradeiro e qual sua posição sobre o caso, mas foi informado que ele está num local seguro, pois estaria sofrendo pressões. Johny estaria sendo orientado por um advogado e não fará mais manifestações públicas, somente quando for acionado pelas autoridades. Enquanto isso, a sociedade clama por uma solução do caso, pois uma menina saiu de casa para estudar e não mais voltou.

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