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Feira de histórias

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Feira de histórias
Até domingo, crianças e adultos têm à disposição um leque de atividades culturais, literárias …

Neila Daronco/JMV

Foto: Neila Daronco/JMV

TIMBÓ – Abriram-se as cortinas para o espetáculo da literatura em Timbó. A 8ª Feira de Rua do Livro já movimenta o Parque Central da cidade, com estudantes, professores e diversos leitores em busca de lançamentos na literatura e também para acompanhar o que a cidade vem produzindo na cultura, seja ela através do canto, da música, do teatro e da dança, bem como através das palavras.
De acordo com o prefeito de Timbó, Laércio Schuster Júnior, que visitou a feira do Livro na manhã de quarta-feira, acompanhado do vice-prefeito Darcizio Bona e do presidente da Fundação Cultural de Timbó, Jorge Ferreira,  a Feira de Rua do Livro é um dos principais eventos culturais da região, já que possibilita o acesso fácil à literatura de estudantes e das pessoas residentes em Timbó e nos municípios vizinhos. “Sabemos da importância da Feira de Rua do Livro, por isso valorizamos este evento e em todos os anos buscamos inová-lo”, disse Laércio, através da Assessoria de Imprensa.
No Parque do Saber, além de 14 estandes com livreiros oferecendo uma gama de opções nos diversos gêneros literários e de um espaço gastronômico para os visitantes, quem passar pelo Parque Central vai perceber algumas tendas espalhadas com estudantes possibilitando que o visitante pare, sente-se e ouça uma bela história, através da prática de  Contação de Histórias.
Nas tendas, alunos de diferentes turmas e Escolas se revezam no atendimento de mentes sedentas por histórias, sejam elas romanceadas, alegres, tristes, cômicas ou de terror. Tem gente experiente e tem gente estreiando à atividade, como o grupo da Escola Ruy Barbosa Quarteto Contante, com as alunas Ione Zomer da Luz, Sabrina da Costa, Débora de Souza, Maria Alice Rozza Rosa e Thalia Pagel, todas estudantes do 1º Ano do Ensino Inovador, coordenadas pela professora Scheila. As meninas comentaram que para contar história é preciso conhecê-la, ler bastante e praticar. A interação com as crianças é importante e o grupo se encontra todas as quartas-feiras para praticar as técnicas de Contação de Histórias. Um pouco envergonhadas, elas aguardavam ansiosas o momento de fazer a primeira Contação de Histórias para um público fora da escola. “A expectativa é boa e estamos treinando para isso”, disse uma das alunas.   
Em outra tenda, alunos do 4º ano do Colégio Cetisa também já embalavam a imaginação de outros alunos, vindos de outras cidades. Para a professora Dóris Maas, a experiência do aluno como contador de histórias, lhe traz benefícios importantes, como a expressão, escrita e comunicação com os demais colegas. “Essa experiência possibilita controlar os medos, à ansiedade e ajuda a se expressar publicamente. Aqui, eles dividem o espaço com o outro e na feira do Livro, eles se sentem muito bem fazendo isso”,a afirmou a professora. A aluna Ana beatriz Kretzschmar, de 9 anos,  afirma que é uma experiência bastante interessante e que treina em casa a contação de histórias. “Tenho um irmão mais novo e conto as histórias para ele. Às vezes, ele me interrompe, mas aqui as crianças nos ouvem direitinho”, disse.
O evento que vai até domingo, dia 17 de junho, traz uma vasta programação além da Contação de Histórias: tem Sopa de Letrinhas, espetáculos de teatro e apresentações culturais, além de um espaço para que escritores tenham um contato direto com o leitor. São esperados os escritores: Lorreine Beatrice, Apolônia Gastaldi Bussi e Alfredo Becköeser.

 

Contação de Histórias é destaque no primeiro dia

TIMBÓ – Além das tendas com alunos contadores de histórias, a Fundação Cultural de Timbó, que realiza o evento, trouxe para o primeiro dia de Feira de Rua do Livro, a bibliotecária Felícia Flecke, da cidade de Florianópolis, que há três anos, se dedica a prática de  contação de histórias, vocação que descobriu após a Graduação em Biblioteconomia e que a levou a cursar o mestrado em Ciências da Informação, onde estudou sobre a profissionalização dos contadores de histórias.
Após sua apresentação, ela atendeu nossa reportagem e trouxe informações importantes para quem se dedica ou aprecia a atividade.
De acordo com Felícia, através do Mestrado, ela descobriu que a maioria dos contadores de histórias também são professores ou trabalham com as artes cênicas. Além destes profissionais, não podem ser esquecidos aqueles que o fazem de modo voluntário, o que na opinião de Felícia é surpreendente e há espaço para todos. “Eu percebo um discurso parecido entre eles, ou entre nós, contadores profissionais. Estamos num mundo tão caótico e rico em informações, num bombardeio de imagens e vejo que as pessoas buscam o encontro com o outro, o olho no olho. Isso, a contação de histórias traz. É uma prática tão simples se comparada ao teatro, por exemplo, sem cenário, sem decorar e mesmo assim, se contam histórias. Essa necessidade sempre houve, de comunicar, das pessoas contarem suas histórias. Mesmo com a quantidade de recursos audiovisuais, ainda o encanto pela história narrada em voz alta, existe. É a oportunidade de criar suas próprias imagens. Isso é interessante, trabalhamos com o sonho, com o imaginário”, relata Felícia.
A contadora de histórias explica que  o trabalho com crianças é a principal demanda. “Faço muito em escolas, em semana do livro, da biblioteca, enfim. Mas já contei histórias em aniversários, uma vez contei a história de fundação da Escola, como presente para os diretores. Todo o lugar é possível, já contei histórias em lojas maçônicas e em empresas”, relata Felícia.

PREPARAÇÃO
Para que a experiência dos ouvintes, a ouvir uma história seja interessante, é importante escolher o repertório. “Leio umas 50 histórias para escolher uma que seja realmente boa. Tenho algumas técnicas de memorização, que aprendi em oficinas e hoje repasso para professores, enfim. Eu acredito que a história fica boa com a prática. Tem histórias que conto desde 2004 e agora elas estão boas. Isso vai do público também, porque é como se fosse um diálogo, a história é construída junto com os ouvintes, em cada apresentação e assim, é que construo minhas histórias. E por isso, que cada vez que conto, a história é diferente”, afirma Felícia.
Ela relata que há várias maneiras de se contar uma história, seja ela uma história narrada em voz alta ou contando com as próprias palavras. “Se a história que eu conto vem de um livro, procuro referenciar ele no final da contação de histórias, porque meu objetivo é de incentivar a leitura e indico, mostro livros, de onde veio a história”, diz.
Sobre o uso da voz, Felícia diz que em alguns momentos, faz vozes diferentes, mas procura mesmo é cuidar da entonação e assim dar movimento à história. “Quanto mais contar a história, melhor é. Meus pais e avós compravam livros para mim. Eu era uma criança tímida, vivia na biblioteca e  para mim, contar histórias é compartilhar o que eu gostei primeiro. Isso é fundamental. Não posso ensinar a criança a ler, se eu não gosto de ler. Eu tenho que encantar com a minha história depois de ser encantada por ela”, afirma.
Para Felícia, que desde criança é apaixonada pelos livros, pela literatura e tem na leitura um momento de prazer, o futuro na área da literatura, bem como, na contação de histórias é promissor. “Vejo que há um crescimento no interesse pela leitura em voz alta e na contação de histórias. O mercado editorial tem publicado muita coisa boa, bonita, diferente. Leio muito e o prazer da leitura está crescendo. Há um espaço bom e creio num futuro bem favorável em relação a isso”, afirma a mestre. “E não é só nas escolas. Há um interesse crescente de contratar contadores, de inserir a contação de livros em eventos como esse, numa Feira de Livros”, diz.
DICAS
Experimentar – pode contar histórias usando bonecos, figurinos, num passo de dança, tocando um instrumento. São tantas possibilidades, mas elas devem fazer sentido com o que você é. É contando histórias que se aprende a contar histórias.
Aprenda com o público – é preciso enfrentar isso tudo com muita generosidade consigo mesmo. Não é preciso decorar as palavras. No início conte do seu jeito e depois refina a linguagem.
Esteja presente para o público -  quando contamos uma história, saímos do tempo cronológico e partimos para o tempo afetivo. Não pense no que fazer depois, se deixe estar presente.
Ter uma boa história – e o mais importante é a ter uma boa história e deixar que ela flua. O contador de histórias é um canal e é possível o uso de recursos. Mas lembre-se: é a história que deve estar em primeiro lugar e não a performance do contador.

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