Morte polêmica
Mãe de Bruna Werter registrou boletim de ocorrência após a morte da jovem em Florianópolis …
CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

INDAIAL – Depois de oito dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário, de Florianópolis e de ter passado por quatro cirurgias, a jovem indaialense que completaria 16 anos em breve e que se formaria no Ensino Médio do Colégio Adventista, veio a óbito. A família, que ainda não está recuperada da perda, que aconteceu no dia 4 de junho, busca por justiça. Em entrevista à redação do Jornal do Médio Vale, a mãe Noeli, os tios, e demais familiares afirmam que ambos os hospitais por onde Bruna passou, desde o dia 11 de maio, quando sentiu fortes dores estomacais, alegando ter comido um sanduíche natural, foram negligentes. A jovem buscou atendimento junto ao Hospital Beatriz Ramos de Indaial, por mais de quatro vezes, segundo a mãe, e no Hospital e Maternidade Oase, onde foi internada no dia 19 de maio. Segundo os médicos, após os exames realizados o quadro de Bruna apresentou diversas alterações resultando em uma suspeita de leptospirose com falência hepática, sendo solicitada a sua transferência no dia 22 de maio, para a UTI do Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, onde também ficou internada até o dia 25 de maio, quando foi transferida para o Hospital Universitário, onde veio a óbito no dia 4 de junho.
A mãe conta que Bruna tinha dores estomacais, vômito e diarreia, no dia 11 de maio, sábado, quando foi levada pela família até o Pronto Socorro do Hospital Beatriz Ramos. No local a jovem foi medicada com soros, analgésicos e encaminhada para casa. “Foram quatro vezes que procuramos o Pronto Socorro para saber o que minha filha tinha, pois ela chorava de dor”, relata Noeli ao explicar que no dia 17 de maio, a mãe levou Bruna para ser atendida no consultório particular do médico Orlando De Piné, que reforçou a medicação repassada pelos plantonista do Hospital e aconselhou que a mãe, caso precisasse, o procurasse novamente. “Na sexta-feira, dia 18 de maio, Bruna passou mal novamente e fomos para o Hospital Beatriz Ramos, em razão de ser 13h e o doutor Orlando ainda não estar atendendo no Consultório particular. No Pronto Socorro do Hospital a menina aguardou por 1h30min até receber a medicação, na ocasião o médico plantonista solicitou exames de sangue e raio X. No exame foi detectado que Bruna estava com algum tipo de infecção e deveria ter sido internada, mas o plantonista do dia, repassou a medicação e mandou Bruna para casa”, relata a mãe.
No sábado, dia 19 de maio, explica Noeli, a menina estava muito mal e a família chamou o Samu e os Bombeiros, sendo que ambos se negaram a levar a jovem para o Hospital. “Bruna estava muito mal, ela estava com a barriga inchada e não conseguia respirar direito”, conta a mãe ao relatar que a família levou a jovem até o Hospital Beatriz Ramos, que encontrava-se lotado então decidiram procurar por atendimento particular junto a Unimed de Timbó. “Ao chegarmos na Unimed nos deparamos com ela fechada, então nos dirigimos ao Hospital Oase”, comenta Noeli.
Segundo a mãe, ao chegar no Hospital Oase, não foram atendidas no Pronto Atendimento e tiveram que efetuar o pagamento da consulta particular, junto ao Hospital e Maternidade Oase. “Após Bruna ter passado mal, no domingo e na segunda-feira, no Hospital Oase, o médico que estava cuidando dela já tinha solicitado diversos exames, entre eles uma ultrassonografia, que foi realizada no final da tarde de segunda-feira. Na terça-feira ela foi transferida para o Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis”, explica a mãe ao frisar que durante a transferência a menina já foi no oxigênio e estava muito mal.
Questionada sobre o laudo da causa da morte da jovem, a mãe afirma que entre as diversas situações apresentadas no documento, entre elas hemorragia, também constava apendicite aguda. Agora, a família busca por justiça, e através da ação de uma advogada, já registrou boletim de ocorrência contra os três hospitais, por onde Bruna passou (Beatriz Ramos, Maternidade Oase e Nereu Ramos) e contra os médicos que realizaram os atendimentos e pretende entrar com uma ação no Ministério Público para saber de quem foi a culpa da morte da jovem. “Eu me pergunto: por que no Beatriz Ramos, não houve uma maior investigação da dor que a menina sentia, já que fomos mais de quatro vezes no Pronto Socorro em busca de ajuda?”, questiona a mãe de Bruna. “Houve negligência por parte dos médicos que atenderam a minha filha, pois eu só tinha ela e agora não tenho mais ninguém”, afirma emocionada a mãe, que no dia 29 de abril, enterrou seu marido, após um longo período de tratamento contra um câncer de garganta e há 16 anos também perdeu seu filho de oito anos, devido a uma leucemia.
Contraponto dos Hospitais
Em entrevista a redação do Jornal do Médio Vale, o diretor técnico do Hospital Beatriz Ramos, Marcos Sanches destacou que as informações que sabe até o momento sobre o caso é o que está circulando na mídia. “Oficialmente o Hospital não teve conhecimento da causa morte da jovem indaialense, que faleceu em Florianopólis”, afirmou o médico ao frisar que o Hospital Beatriz Ramos, em nenhum momento vai deixar de averiguar os fatos, quando e se, solicitados.
Sanches destacou ainda que a direção do Hospital está solidário com a dor de Noeli, pois uma perda sempre causa uma dor muito forte, em especial para uma mãe.
Já em Timbó, no Hospital e Maternidade Oase, a gestora do Grupo Coper-Vida, Grasielen Choseki e o médico Janderick de Souza Alves, receberam a redação do Jornal do Médio Vale para falar sobre o período em que Bruna esteve no Hospital. Segundo o médico, a paciente entrou no Hospital com um quadro clínico estável, sendo que no decorrer do dia 19, data de entrada de Bruna no Oase, até o dia 22 de maio, quando da sua transferência para um Hospital de referência em alta complexidade, foram realizados diversos exames. “Os exames apresentaram diversas alterações, resultando em uma suspeita de leptospirose com falência hepática”, observa Alves ao afirmar que com esse quadro clínico e não cirúrgico, foi solicitada a transferência imediata, através do SOS da Unimed, para o Hospital Nereu Ramos, em Florianopólis.
A gestora afirma que tudo o que o hospital pode fazer pela paciente, ele fez. “Foram realizados exames, cujos resultados encontram-se junto ao prontuário da paciente e através desses exames o grupo clínico do Hospital avaliou a necessidade da transferência de Bruna, para um hospital com mais recursos para atendê-la”, afirma Grasielen ao explicar que a transferência foi uma conduta com o objetivo de buscar uma solução para o problema de Bruna, em um hospital que oferece uma gama maior de recursos.



