Ariana está morta
Justiça decreta prisão preventiva de Jhony Karsten …
EVANDRO LOES/JMV, Salmos de Souza e André Hahnebach

TIMBÓ – Depois do aparecimento do corpo da adolescente Ariana Arndt, 16 anos, boiando sobre o rio Benedito, a Justiça decretou a prisão preventiva do principal suspeito por seu desaparecimento, Jhony Karsten, 22 anos. A família de Ariana reconheceu o corpo, na manhã de ontem, dia 16 de julho (segunda-feira), após sua retirada pelo Corpo de Bombeiros. O laudo pericial, realizado em Blumenau, ainda não foi divulgado, mas a delegada Stela Maris Antunes da Rosa não tem dúvidas da participação do ex-namorado de Ariana no crime. E a participação de uma terceira pessoa no crime, também não está descartada. O advogado de defesa de Jhony Karsten, Reny Becker Filho, disse que seu cliente negou com firmeza a autoria do crime.
A elucidação do “Caso Ariana”, como vinha sendo denominado, começou na manhã de segunda-feira, quando, por volta das 10horas, o Corpo de Bombeiros , a pedido da Polícia Civil, realizou a retirada de um corpo sobre o rio Benedito, localizado numa pequena ilha, nos fundos do Posto Ferrari. Populares avisaram a polícia sobre a presença do corpo estranho boiando sobre as águas. Assim que foi retirado, os pais de Ariana Arndt, desaparecida desde o dia 22 de junho, Mercio Arndt e Yara Donato, reconheceram a filha pelas características e vestimentas. A localização do corpo encerrou o mistério sobre o paradeiro de Ariana e, partir de então, a polícia convocou para se apresentar o principal suspeito, Jhony Karsten.
Populares aguardavam a chegada de Jhony Karsten na Delegacia, gritando palavras de ordem (veja reportagem anexo). Jhony chegou na Delegacia por volta das 14h30min, acompanhado pelo advogado Reny Becker Filho. Depois de mais de duas horas de espera, ocorreu o tão esperado depoimento. Jhony Karsten voltou a negar o crime e se recusou a responder mais de 50 perguntas da delegada, Stela Maris Antunes da Rosa e dos demais investigadores da Polícia Civil. A lei garante a Karsten o direito de ficar calado e só responder as perguntas em juízo.
Após o interrogatório, a polícia obteve ordem judicial e realizou uma diligência na residência de Jhony Karsten, localizada no bairro Dona Clara. O JMV foi o único órgão de imprensa a acompanhar a operação, registrando em vídeo todos os detalhes. Na residência, foram apreendidos objetos, roupas e escritos de Jhony Karsten, além de alguns pertences que seriam de Ariana. Johny Karsten parecia muito seguro de seus direitos e não demonstrou nenhuma compaixão com a morte de sua ex-namorada, a quem dizia tanto amar.
Investigações
Em coletiva à imprensa, a delegada Stela Maris Antunes da Rosa disse que as evidências sobre a participação de Jhony Karsten na morte de Ariana são conclusivas. Em todos os seus depoimentos e manifestações na imprensa, Jhony Karsten afirmou que não esteve com Ariana Arndt na noite de seu desaparecimento e que chegou em casa por volta das 18h45min daquela noite, dia 22 de junho. Lá estaria seus pais e a mãe de seu filho de pouco mais de um ano, Maria de Fátima Vicente Ferreira, com quem Jhony tentava reatar a relação, interrompida desde que ele passou a namorar Ariana.
Depoimentos de Maria de Fátima e da mãe de Jhony revelam que ele chegou em casa pelo menos duas horas depois do que afirmou nos depoimentos. Também, pesa contra Jhony, três depoimentos de pessoas que viram ele sobre a ponte que liga os dois pavilhões (sobre o rio Benedito), juntamente com Ariana Arndt, na noite de 22 de junho. As testemunhas afirmam que Jhony e Ariana estavam discutindo. A polícia também vai aguardar o laudo pericial do corpo de Ariana para decifrar o exato local em que Ariana foi lançada sobre as águas do rio Benedito. Segundo familiares, Ariana não sabia nadar e um simples empurrão poderia ser determinante para seu afogamento.
A polícia também está investigando os telefonemas de Jhony Karsten na noite do desaparecimento de Ariana e os dias que se seguiram, para levantar a hipótese da participação de uma terceira pessoa no crime. O inquérito policial deve ser concluído no prazo de 10 dias, quando será encaminhado ao Ministério Público. Se for indiciado, Jhony poderá ir a júri popular.
Defesa
O advogado Reny Becker Filho, que está acompanhando Jhony Karsten desde a semana passada, quando o caso ganhou maior projeção na imprensa, havia conseguido um habeas corpus preventivo em favor de Jhony Karsten, mas, diante das evidências e novo pedido por parte da polícia, o magistrado Ubaldo Ricardo da Silva neto decretou a prisão preventiva do acusado. Jhony foi levado na noite de ontem ao Presídio Regional de Blumenau. O advogado Reny Becker Filho disse estranhar a mudança de posição da Justiça e revelou que vai tentar reverter a preventiva no Tribunal de Justiça.





