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sábado, 20 de julho de 2024

Manifestantes furiosos invadem a sede dos três poderes

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ATENTADO À REPÚBLICA
Manifestantes furiosos invadem a sede dos três poderes
Por: Evandro Loes/JMV …

Foto: FOTO/ ED ALVESCB DA PRESS

Milhares de manifestantes ocuparam a Praça dos Três oderes, em Brasília, na tarde de domingo, dia 8 de janeiro, provocando o maior atentado aos poderes da República Brasileira em toda a história. Parte dos manifestantes depredou as sedes do Palácio do Planalto (sede do Executivo), a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e o Supremo Tribunal Federal. Alguns ministérios também foram alvos de invasão. Houve falha no esquema de segurança do Distrito Federal e o governador, Ibaneis Rocha (MDB), acabou sendo afastado do cargo por 90 dias, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre Moraes, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral.

Os atos reuniram militantes apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que estavam acampados nas imediações da sede do Exército, nos arredores de Brasília, inconformado com os resultados das eleições, que alegam ter sido roubadas e vencidas por Bolsonaro. Eles reivindicam uma intervenção militar para restituir Bolsonaro no poder e afastar Lula da presidência.

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O ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o país com destino a Orlando/ Flórida, nos Estados Unidos, no dia 30 de dezembro, para não passar a faixa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além destes manifestantes, vieram apoiadores de todo o país, muitos lotando ônibus, incluindo muitos catarinenses. A partir das 13h30min, os manifestantes ingressaram na Explanada dos Ministérios, sem encontrar muita resistência policial, que operava em número reduzido.

Os grupos se dividiram e invadiram a sede dos poderes, arrombando portas, janelas e adentrando às dependências, onde ocorreram grandes depredações. Os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP), do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), do STF, Rosa Weber e o presidente Lula, classificaram os atos como terroristas. Vale registrar que nem todos os manifestantes adentraram nos prédios públicos e participaram das depredações. Muitos dos que atentaram contra os poderes não se intimidaram em mostrar a cara e fazer registros em redes sociais.

Quando a situação já estava fora de controle, as forças de segurança foram reforçadas pelo governador Ibaneis Rocha, a pedido do ministro da Justiça, Flávio Dino e o ministro da Defesa, José Múcio. Mais de 1.700 pessoas foram detidas nas primeiras horas após os acontecimentos. Os prédios e a Explanada foram evacuados com uso da força e bombas de gás lacrimogêneo. Chefes dos poderes estiveram na sede das instituições e verificaram in loco os estragos causados.

Os prejuízos são incalculáveis. Além da depredação das instalações, como portas, janelas, móveis, obras de arte, equipamentos, documentos e arquivos foram totalmente danificados. O ministro da Justiça, Flávio Dino, disse que os reparos serão pagos pelos autores dos atos, “que serão identificados, inclusive por redes sociais e outros meios”. Obras de arte, como quadros de Di Cavalcanti e Portinari, avaliados em milhões de reais, foram danificadas. A galeria de ex-presidentes da República, Câmara e Senado, foram destruídas. Um relógio do século XVI, doado ao Imperado Dom João VI, que só existem duas peças no mundo, foi depredado e é considerado irrecuperável.

Logo após os acontecimentos, o governador Ibaneis Rocha comunicou a demissão sumária do secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, que havia sido ministro da Justiça do governo Bolsonaro e havia assumido o cargo em 1º de janeiro. Estranhamente, Torres, mesmo sabendo da iminência dos atos em Brasília, viajou à Orlando/ Flórida, na véspera dos acontecimentos. O Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva de Torres, que continua fora do país. A demissão de Anderson Torres não satisfez o Supremo Tribunal Federal, que decretou seu afastamento para investigações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia decretado intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal. No lugar de Ibaneis Rocha, assumiu o governo local a vice-governadora Celina Leão.


Internacional

A repercussão internacional dos atos contra a democracia no Brasil foi imediata. Representantes da Organização dos Estados Americanos, presidentes de países como Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Colômbia, México, Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Rússia, Itália e China manifestaram contrariedade com os acontecimentos e enviaram mensagens de apoio às instituições brasileiras.


Política

Os atos contra as instituições geraram manifestações de políticos em todo o país. Os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas; Rio de Janeiro, Claudio Castro; Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; Paraná, Ratinho Júnior e Goiás, Ronaldo Caiado, entre outros, muitos que apoiaram Jair Bolsonaro nas eleições, repudiaram os atos antidemocráticos. O deputado Federal, Gilson Marches (NOVO/SC) e o deputado estadual eleito, Napoleão Bernardes (PSD), também usaram suas redes sociais para condenar os atos de vandalismo. O ex- -presidente Jair Bolsonaro usou suas redes sociais para condenar os atos de vandalismo e alfinetou que estas atitudes são práticas da esquerda.


Investigações

O Ministério da Justiça, o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal declararam que irão investigar e punir todos os envolvidos, presentes e mandantes ou incentivadores nas redes sociais. O Senado vai instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as responsabilidades pelos atos. Já foram colhidas mais de 30 assinaturas, das 27 necessárias. Um grupo de mais de 1.700 manifestantes está detido em Brasília para a tomada de depoimentos. A polícia pretende colher informações sobre os elos dos manifestantes com ramificações em todo o país. Os desdobramentos podem atingir pessoas em todo o país.

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