Rodeio é sede de empresa que constrói e restaura órgãos musicais
Organeiro, aposentado, natural da Alemanha mudou-se para Santa Catarina em 2006 e agora ensina o of? …
CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV
RODEIO – Os órgãos musicais que encontram-se em Igrejas do Vale do Itajaí e do Brasil, não tem sua cultura muito difundida, são poucas as pessoas que sabem tocá-los ou restaurá-los, mas agora essa situação tende a mudar. No Vale do Itajaí, mas especialmente no município de Rodeio, está instalada desde 2009, uma empresa que realiza construção e restauro de órgãos.
O alemão Georg Jann é organeiro desde 1948, ou seja, há 64 anos, ele constrói e restaura órgãos de todos os tipos e tamanhos. Em 2006, ele largou as suas duas empresas, uma na Alemanha e outra em Portugal, para serem comandadas pelos seus dois filhos e mudou-se para o Brasil, mais especificamente, para a cidade de Blumenau.
Segundo sua esposa, Gergild, ela também é natural da Alemanha, mas reside no Brasil desde 1968, sendo que neste período morou um ano na Alemanha e 11 anos em Portugal. “Eu e o Georg nos conhecemos na Alemanha e fomos morar em Portugal, onde ficamos por 11 anos e, assim que ele se aposentou retornei para o Brasil e ele veio junto”, conta a frau Gerhild ao relatar que sua família reside em Blumenau. “Tenho cinco filhos, sendo dois nascidos na Alemanha e três no Brasil. Destes, quatro residem em Blumenau e um está na Alemanha”, obseva ela.
Já Georg, tem três filhos (dois filhos e uma filha), os filhos homens assumiram os negócios do pai; um ficou com a firma na Alemanha e outra com a firma de Portugal.
Quando, o casal chegou em Blumenau em 2007 abriram a firma de restauro de órgãos no Morro do Baú. “Somos evangélicos e frequentamos em um domingo o culto na Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Blumenau e notamos a presença de um órgão no local, mas esse órgão não funcionava, então Georg pediu para o pastor e à diretoria da comunidade se podia restaurar o órgão e o trabalho foi aceito. Com as enchentes de 2008 o galpão onde tínhamos os materiais foi inundado e não tínhamos mais como utilizá-lo então conhecemos o frei Lauro Both e conversamos sobre o trabalho que realizávamos e ele nos propôs conhecer a cidade de Rodeio. Aqui chegando encontramos nos fundos da Paróquia Católica o mosteiro onde tinha uma antiga marcenaria e um estábulo. Ambas as peças estavam desocupadas então alugamos para darmos continuidade aos trabalhos de construção e reparos de órgãos”, relata Georg.
O mestre, como é chamado pelos profissionais que trabalham na firma, não fala brasileiro, então é necessário sempre a presença do frei ou da sua esposa, para fazer a tradução.
Entre os trabalhos já desenvolvidos pela firma denominada de Sonoridade Organi, está o restauro do órgão da Igreja Evangélica de Blumenau; montagem do órgão de tubos da igreja do Mosteiro de São Bento, em Vinhedo. A obra de arte é do mestre organeiro alemão George Jann, tem 17 registros, três manuais e pedaleira, 904 tubos, parte de metal e parte de madeira; órgão da Catedral de Porto Alegre; construção de dois órgãos pequenos e do órgão da Unesp. Também encontra-se para restauração o órgão da Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Timbó, que foi construído em 1964.
O organeiro relata que poucos instrumentos são tão marcantes que chegam a definir alguns gêneros musicais. Entretanto ele, afirma que desconhece algum instrumento que seja mais histórico e sinônimo de gênero musical que o órgão de tubos. Basta ouvir poucos acordes para definir: Música Sacra. “Exige-se do organeiro, além de uma grande capacidade intelectual e auditiva, uma enorme domínio de várias áreas como desde logo a música e a acústica, mas também a engenharia, o design, a história da arte, e uma vasta experiência provada ao longo de anos de trabalho e aprendizagem”, observa o frei Lauro.
História do órgão
O órgão é um instrumento musical tocado por meio de um ou mais manuais e uma pedaleira. O som é produzido pela passagem do vento (ar comprimido) através de tubos de metal e madeira.
O órgão é um dos instrumentos musicais mais antigos da tradição musical do Ocidente. Foi o primeiro instrumento de teclas.
O antepassado do órgão é o hydraulos, ou órgão hidráulico, inventado no século três antes de Cristo ( a.C.) pelo engenheiro grego Ctesíbio de Alexandria, responsável pelo cruzamento da flauta típica grega, o aulos, com o sistema hidráulico de injecção de ar comprimido nos tubos.
A mecânica consistia em abrir a passagem do ar para os tubos através de uma válvula parecida com uma tecla. Para que tal acontecesse o ar era mantido em pressão por processos hidráulicos (pressão de água). O órgão possuía apenas uma fila com 7 tubos de diferentes comprimentos, correspondendo cada tubo a uma nota.
Este instrumento esteve muito em voga no Império Romano. Alcançando uma forte amplitude sonora (volume), era apto para ser usado ao ar-livre: em jogos, no circo, nos anfiteatros. Nesta altura o hydraulos era já denominado organum hydraulicum em latim ou organon hydraulikon em grego.
A fila de tubos duplicou e triplicou, até que foi incorporado um mecanismo de selecção dessas filas de tubos, que mais tarde se vêm a chamar registos. O conjunto de tubos de uma fila tem o mesmo formato e características, emitindo um timbre próprio. Assim sendo, num órgão existem tantos timbres diferentes, quanto o número de registos (filas) existentes.
O sistema hidráulico usou-se até ao século V, tendo surgido no século IV o sistema pneumático de foles. Trata-se do órgão pneumático. Como já não havia a componente hidráulica, o instrumento passou simplesmente a ser denominado Organus.
A introdução de órgãos nas igrejas é tradicionalmente atribuída ao Papa Vitalian no século VII. Pelo vínculo que estabeleceu ao serviço do culto, prestado ao longo de séculos na Liturgia Cristã, carrega uma estatuto inigualável no compto da Música Sacra.
Um dos exemplares mais interessante está instalado no coro-alto da Igreja da Lapa (Porto) foi construído em 1995 um órgão de tubos da autoria do mestre-organeiro alemão Georg Jann. Trata-se do maior órgão da Península Ibérica.



