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Defesa pode mudar versão e pede habeas corpus de Jhony

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Defesa pode mudar versão e pede habeas corpus de Jhony
Alegando que o acusado não possui antecedentes criminais, advogado busca sua soltura …

EVANDRO LOES/JMV

Foto: Arquivo JMV

 

TIMBÓ – O advogado Reny Becker Filho, que defende Jhony Karsten, 22 anos, acusado pela polícia pela morte da adolescente Ariana Arndt, 16 anos, ingressou com pedido de habeas corpus, na tarde de ontem, quinta-feira, dia 19, com o objetivo de relaxar a prisão preventiva, decretada pelo magistrado Ubaldo Ricardo da Silva, na última segunda-feira. A defesa também anunciou que Karsten pode mudar sua versão sobre seus passos no dia do desaparecimento de Ariana, admitindo que chegou em casa bem mais tarde do que informou à polícia e nas entrevistas à imprensa.

Jhony Karsten está detido no Presídio Regional de Blumenau, numa cela com 14 detentos. Sua prisão foi solicitada pela polícia, após um depoimento da ex-namorada e mãe de seu filho, Maria de Fátima Vicente Ferreira, e ter registrado um BO (Boletim de Ocorrência), alegando estar sendo ameaçada a mudar seu depoimento sobre o horário em que Jhony chegou em casa no dia 22 de junho, quando Ariana desapareceu. Também pesou o fato da confirmação da morte de Ariana, após o aparecimento de seu corpo boiando sobre as águas do rio Benedito, no centro de Timbó.

A sustentação do pedido de soltura, pela defesa, baseia-se na condição do acusado, Jhony Karsten e em declarações da delegada, Stela Maris Antunes da Rosa, que em entrevista à imprensa, afirmou que, para a polícia, o caso já estava resolvido. Becker disse que a soltura se faz necessária porque Jhony Karsten não tem antecedentes criminais, tem emprego fixo e estuda, além de ter um filho para sustentar. Para o advogado, a prisão não é necessária, “porque a própria polícia já admitiu que o inquérito está concluído e não há como seu cliente interferir nas investigações”.

Em entrevista ao JMV TV e à Rádio Cultura de Timbó, Reny Becker Filho disse que espera a concessão do habeas corpus até a próxima segunda-feira, dia 23 de julho. Paralelamente, ele trabalha na montagem da defesa de Jhony Karsten. “Tive uma conversa franca com o Jhony Karsten e exigi que ele me falasse toda a verdade. Ele sempre alegou que não matou Ariana Arndt e não esteve com ela no dia de seu desaparecimento”, disse Becker. No entanto, o advogado admitiu que Jhony Karsten não chegou em casa no horário informado à polícia e que esteve à procura de Ariana em diversos pontos da cidade, incluindo o Colégio Ruy Barbosa, o Parque Central e a Praça da Thapyoka, próximo ao local onde a adolescente foi encontrada morta.

Outro ponto da acusação, que Becker pretende contestar, é o depoimento de três testemunhas que teriam visto Jhony e Ariana, no dia 22 de junho, discutindo sobre a ponte que liga os dois pavilhões de Timbó. No local, às sextas-feiras, são realizadas as feiras da Assagro e há intensa movimentação de populares que usam a ponte. Becker disse que Jhony relatou que ele e Ariana sempre namoravam no local e que as últimas vezes que estiveram lá, naquela semana, foi na terça e quarta-feira. “Ele garantiu que no dia 22 (sexta-feira) não esteve na ponte e que as testemunhas devem ter se equivocado”.

Segundo Reny Becker Filho, os depoimentos de Jhony Karsten foram prestados sob forte pressão da polícia e, por isso, ele entrou em contradição e omitiu informações. Em entrevista ao jornalista Salmos de Souza, do JMV TV, duas semanas após o desaparecimento de Ariana, Johny Karsten também declarou que no dia 22 de junho, ele chegou em casa às 18h45min. Na ocasião, Jhony disse que, naquele dia, foi até a casa do pai de Ariana, Mércio Arndt, às 18h35min e de lá foi direto para casa, onde estavam seus pais e a mãe de seu filho, Maria de Fátima Ferreira. O advogado de defesa também reconheceu que Jhony deu um telefonema das imediações da Praça da Thapyoka, com o telefone de Ariana, que havia tomado emprestado “porque ela havia estragado o dele”. A defesa vai trabalhar com a possibilidade de Ariana ter cometido suicídio.

 

Inquérito

Embora trabalhe com a acusação de autoria do crime contra Jhony Karsten, a delegada Stela Maris Antunes da Rosa continuou o trabalho de investigações, esta semana, colhendo novos depoimentos. Também foram encaminhados à perícia técnica peças de roupas e materiais apreendidos na residência de Jhony, no dia de sua prisão preventiva. Na próxima segunda-feira, dia 23, deve ser divulgado o laudo sobre a morte de Ariana Arndt, incluindo os exames laboratoriais. Nos exames preliminares, constatou-se que Ariana morreu por afogamento e não há marcas de violência sobre o corpo. Também já foi adiantado que Ariana não estava grávida. O laudo é importante, mas é de conhecimento da polícia, através de familiares, que Ariana não sabia nadar e um simples empurrão poderia ser determinante para seu afogamento.

 

Comoção

Na última terça-feira, dia17, no Cemitério Jardim da Paz, foi realizado o sepultamento de Ariana Arndt. O velório ocorreu a partir de segunda-feira, dia 16, às 18 horas, na Capela Mortuária, e centenas de pessoas foram prestar solidariedade à família. A ex-diretora da Escola Ruy Barbosa, Salvelina Zatelli, proferiu algumas palavras sobre a estudante, lamentando que Ariana não iria concretizar o sonho de concluir o segundo grau. Parentes, amigos e populares foram prestar homenagens a Ariana e dar uma palavra de conforto aos pais, Mércio Arndt e Yara Donato, que já haviam perdido uma filha de 22 anos, no início deste ano, vítima de leucemia.

 

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